segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Expressões faciais - Nariz

Expressões de aversão e desprezo são mais visíveis pelo nariz. Muitas vezes quando não gostamos de alguém ou temos um grande desdém torna-se quase impossível não torcer o nariz.

Mas, ao que parece, ninguém gosta muito de imaginar as funções de um nariz, por isso a lista hoje é curta.


Se conheceres mais alguma, não hesites em partilhar nos comentários.

EXPRESSÕES FACIAIS - NARIZ

  • empinou-se
  • empinado
  • enrugou-se
  • enrugado
  • escarneceu
  • desdenhou
  • torceu o nariz
  • as narinas dilatam-se
  • as narinas alargaram-se
  • arfou
  • fungou

domingo, 31 de julho de 2016

A rotina em Kunyu Shan

"Vais estudar kung-fu?" Dizia a minha tia. "Olha que eu vi o Kill Bill, sabes quantas escadas vais ter de subir?" 
Quando contei às minhas tias acerca do meu novo plano de ir para a China aprender artes marciais, o seu plano de referência foi o episódio em que a personagem principal do Kill Bill, no segundo filme, tem de subir escada acima, escada abaixo com baldes de água aos ombros. 

A sua preocupação era legítima. Nas artes marciais tradicionais - e quando digo tradicionais, quero dizer há uns tempos atrás quando este tipo de artes era praticado por monges no templo de Shaolin, um tipo de Meca para qualquer entusiasta de Kung-fu (em Dengfeng, Província Henan) - era comum ver os monges a carregar os baldes de água durante o treino. Hoje em dia, ainda temos as escadas uma vez por semana, mas felizmente temos os ombros livres.

O terceiro relato d'As Crónicas de Shaolin.

sábado, 30 de julho de 2016

Expressões faciais - Olhos


Lembro-me perfeitamente de, aos meus 12 anos de idade quando decidi começar a escrever o meu primeiro livro, começar a criar uma lista para sinónimos e outras palavras que podia utilizar para substituir o “disse” nas caixas de diálogo.

Resultado de imagem para FACIAL EXPRESSIONS EYESSem contar com o trabalho que um escritor tem em criar mundos, personagens e enredos alternativos, é mais que evidente que temos os nossos pratos cheios no que toca a evitar tornarmos-nos repetitivos.


Rapidamente, essa tarefa evoluiu para adicionar também as expressões faciais. O que acabou por resultar numa lista longa e desorganizada, que se tornava morosa cada vez que precisava de algo específico. Com certeza que podem imaginar que aos 12 anos de idade a paciência não era uma das minhas virtudes (12 anos depois ainda não é), e rapidamente a lista foi esquecida ou perdida.

Quando comecei a escrever “Sombras” dava por mim sentada à secretária, com quatro ou cinco livros à minha frente que usava como referência para “roubar” ideias de expressões. Mas também isso retira tempo desnecessário que podia ser usado para escrever.

Recentemente, ao ler este artigo, tive a ideia de criar uma lista organizada de expressões úteis que podem ser utilizadas pelos meus personagens. E porque não partilhar com os outros escritores que, como eu, andam por aí cansados de vasculhar as páginas dos livros? 


EXPRESSÕES FACIAIS - OLHOS

  • arregalaram-se
  • mediram-na
  • dele tinham ficado enormes e redondos 
  • arredondaram
  • estreitaram-se
  • iluminaram-se
  • fuzilaram
  • brilharam
  • cintilaram
  • fulguraram
  • resplandeceram
  • lacrimejaram
  • lacrimejantes
  • marejados de lágrimas
  • encheram-se de lágrimas
  • estavam molhados
  • inundados
  • lutavam contra as lágrimas
  • lágrimas escorreram pelo rosto
  • desviaram-se
  • comprimiram-se
  • penetrantes
  • ardiam
  • olhar de esguelha
  • olhar embasbacado
  • olhar maliciosamente
  • inquisitivos
  • inquiridores
  • babados
  • franzir o olhar
  • forçar os olhos
  • piscar os olhos
  • uma faísca nos olhos
  • um lampejo nos olhos
  • um brilho nos olhos
  • esplendor nos seus olhos
  • os cantos dos seus olhos enrugaram-se
  • rolou os olhos
  • fechou os olhos
  • cerrou os olhos
  • olhadela
  • piscadela
  • ela piscou  um olho
  • as pupilas dilataram-se
  • as pupilas estavam enormes
  • as pupilas alargaram
  • as pupilas contraíram-se
  • as pupilas eram minúsculas

RR     RELACIONADO
R
  • as pestanas tremeram
  • ergueu o sobrolho
  • franziu o sobrolho
  • o sobrolho tremeu
  • franziu a testa
  • uma ruga apareceu entre as suas sombrancelhas
  • a testa enrugou-se
  • um sulco formou-se na sombrancelha
  • as sombracelhas aproximaram-se
  • as sombrancelhas ergueram-se
  • as sombrancelhas alinharam-se
  • as sombrancelhas tremeram
  • levantou uma sombrancelha
  • as pálpebras descaríram
  • as pálbebras abriram-se
  • assimilou a vista
  • encarou
  • estudou
  • espreitou
  • perscrutou
  • olhou
  • mirou
  • fixou atentamente
  • fitou
  • escrutinou
  • analisou
  • observou

domingo, 24 de julho de 2016

Shaolin ou Wingchun?

A aventura continua... e como não podia deixar de ser, tenho de continuar a partilhar esta aventura convosco.

Na academia nem tudo parece fácil e, principalmente no inicio existem decisões a ser tomadas e novos hábitos a adquirir. Afinal de contas, ir à China não é o mesmo que ir a Chinatown!

Descobre também como esta experiência me ajudou a entrar na pele de Lilly, em "Sombras"

sábado, 16 de julho de 2016

Crónicas de Shaolin

Se andam ansiosos por saber mais sobre esta aventura na China ou não, pouco sei. Mas a verdade é que já há muito ando a prometer novidades e até agora nada! Pois é! Para quem não sabe existe menos websites a funcionar na China do que originalmente pensara.

Instragram? Népia... Blogspot? Apanhei um grande choque quando descobri que não funcionava, porque tinha prometido dar notícias por aqui. Até mesmo alguns servidores de mails não funcionam (como gmail). 

Resultado? Sem a ajuda de um VPN pouco posso fazer, e o único dispositivo para o qual consegui arranjar um foi para o iPad. Mas tentar escrever um post de blog no iPad é um pouco desorganizado e cansativo, é por isso que, com mil e uma desculpas, lamento não ter dado notícias.

O meu conselho? Se forem para a China, arranjem um VPN para o computador antes de lá entrar, porque, sem ser pago, arranjar um quando já lá estão é praticamente impossível.

Mas o momento para o qual temos esperado chegou e a Coolbooks iniciou As Crónicas de Shaolin, mantém-te atento à sua página do Facebook e à minha página oficial para descobrires mais como esta experiência e as artes marciais me estam a mudar (fisicamente e mentalmente).

Portanto, aqui fica o link deste primeiro relato.

"Até que tomei a decisão: tirar um ano inteiro para aprender artes marciais. Mas não só aprender como quem vai para o trabalho e depois tem uma hora de aula no final do dia para desanuviar. Aulas numa verdadeira academia de artes marciais. Onde? Porque não na China? "

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Perdida numa cidade onde não falam a língua

           

Dia 11: Ontem cheguei ao hostel e disse a mim própria que só ia dormir umas 3 horinhas (visto que ainda eram 22h30 em Portugal quando aterrámos em Pequim). "Yah, pois!" Disse o corpo ao cérebro. Acabei por dormir até às 18h da tarde. O que fez com que não conseguisse dormir à noite, o que fez com que hoje acordasse à 13h e desperdiçasse grande parte do meu dia.

Decidi, então passar pelo Jardim zoológico de Beijing onde iria ver Pandas pela primeira vez!!! Pandas! Finalmente, o meu número não sei quantos da minha Bucket-List pode ser riscado.
Para lá, não houve problemas, fui dar com a estação na perfeição. O sistema de linhas é bastante semelhante ao metro de Londres e os nomes têm o Pinyin (fonética do Mandarim) por baixo.
Foi à vinda que as coisas se complicaram.


As estações de Beijing têm quatro saídas (ou pelo menos a de Zhangzizhonglu tem). E depois de andar perdida durante uns tempos, voltei a entrar na estação e sair por outra saída. Continuei perdida!
Finalmente, comecei a perguntar, mas as pessoas ou não sabiam ou não queriam ajudar por não saberem falar inglês, porque todos me respondiam que "não, não." Um senhor, que falava inglês, acabou por colocar a morada no GPS do telemóvel e pode ver que estava perto, mas não sabia qual era a direção do mapa. Acabou por apontar a dizer que devia ser para ali.

Mas quando ali chegou e eu continuava sem ver a outra saída do metro da estação, voltei a perguntar. Este senhor já parecia mais seguro, mas não falava uma palavra de inglês, e apontou-me para a frente, fez o sinal de cruzamento com os dedos e apontou para a direita.


Continuei a andar em frente (passando por aquela rua uma segunda vez) Cheguei ao cruzamento no final da rua e ainda não via nada que fosse familiar e decidi perguntar a um rapaz no cabeleireiro que me apontou na mesma rua que o senhor anterior. No final da rua ainda não havia sinal dos becos onde fica o meu hostel. 

Voltei a perguntar.

"É para trás," assinalou uma senhora em mandarim numa farmácia. ´"É para trás," assinalou outro rapaz.

Como é para trás? Acabei de fazer esta rua e não vi nada!

Comecei a desesperar e a parar os táxis. Parei 3 táxis, mas sempre que lhes mostrava a morada todos abanavam as mãos negativamente. Não sei se não sabiam ou se recusavam-se a levar-me por ser tão perto, porque nenhum falava inglês.

Finalmente, o taxista pareceu reconhecer a morada e apontou para trás. Eu fechei a porta do carro e disse: "Ok, então vamos." O senhor começou aos berros comigo em mandarim e a fazer o sinal de dois e para trás. "E uns dizem para a frente, outros para trás e eu estou cansada de estar perdida," berrei também, em inglês. Ele lá deve ter percebido que eu não ia sair porque pôs o taxímetro a contar.

Ele percorreu toda aquela rua que eu fizera a pé, virou na direção da rua onde eu perguntara ao primeiro homem do GPS e voltou para trás na outra faixa da estrada. De seguida, parou num beco e apontou-me para a frente, mas eu ainda não conseguia ver o meu hostel e não havia hipótese nenhuma de continuar perdida e ainda assim pagar por isso. Também eu apontei para a frente dizendo que seguisse. Ele voltou a reclamar comigo em mandarim e a gesticular e percebi que tinha algo a ver com o carro não caber. "E eu estou cansada de estar perdida," reclamei mais alto que ele.

Ele acabou por ceder, o carro acabou por caber e eu acabei por encontrar o meu hostel depois de ter estado duas horas perdida nas mesmas ruas. "Don't follow me. I'm lost too!"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Auschwitz

Este post contem alguns detalhes extra para poder alimentar a curiosidade da minha prima que me pediu e, para a eventualidade de ela sempre ir a Auschwitz, poder saber como chegar.



Quando descobri que haviam voos diretos para Pequim a partir da Europa, o meu primeiro pensamento foi: "Gostaria de visitar uma cidade que ainda não conheço." Mas os voos mais baratos que conseguia encontrar eram a partir de Helsinquia, Varsóvia e Copenhaga (tudo cidades que já fui). Então foi ai que apareceu uma nova ideia: Eu sempre quis conhecer Auschwitz e na altura em que fui, há uns oito anos atrás, prometi a mim mesma que voltaria só para visitar o campo de concentração.
E quando a minha irmã quis passar as férias de Carnaval em Amesterdão, juntámos o útil ao agradável e decidimos fazer o percurso: Anne Frank -----» Campo de Concentração (apesar de só o pai dela ter vindo para este campo).

Camas em Bikernau

A primeira coisa que pensei quando cheguei ao campo foi: "estou a usar duas camisolas, dois casacos, um gorro e um cachecol e umas botas fortes e estou a morrer de frio. Como é que aquelas pessoas sobreviviam com apenas um pijama às riscas?" Ao caminharmos para a entrada começou a nevar. O sangue nas minhas veias parecia demasiado espesso e não demorou muito até que os sítios onde a circulação é mais lenta começassem a arder. Pouco depois, até o acto de tirar fotografias era restringido ao absolutamente necessários nas minhas mãos sem luvas.

         

Auschwitz I está dividido em blocos, e alguns desse blocos estão abertos ao público para exposições sobre a vida nos campos de concentração. A historia que algumas das tabletas de descrição contam são atrozes: "aqui eram dispostos os corpos dos que morriam a tentar fugir para assustar os outros prisioneiros", "aqui foram assassinados centenas de pessoas, não faça muito barulho para respeitar os que pereceram" entre outras... Mas essas não são as histórias que me fazem um pequeno nó na garganta que me obriga a respirar fundo. São as histórias de solariedade. Aquela que diz que uma mãe foi separada da sua filha pequena e que, mais tarde na liberação dos campos, a reencontrou devido à bondade de estranhos que tomaram conta dela e a protegeram. As histórias em que crianças sobreviventes de Auschwitz relatam que os adultos construíam-lhes brinquedos a partitr de trapos, pedras, madeiras e outros materiais que encontravam. A história de um padre que se voluntariou para morrer de fome para salvar a vida de um homem de família. Os horrores a que aquelas pessoas foram submetidos não me surpreendem, mas ver aquele instinto protetor que caracteriza a nossa espécie no que toca a proteger os mais novos, sim. Ver que ainda existiam pessoas que não deixaram a esperança, a bondade e a soliedariedade morrer enquato sofriam actos de crueldade macabros? São nessas alturas em que descubro o verdadeiro significado de "humanidade". 




Mesmo com o frio e a neve ocasional, o museu estava cheio. Algumas das pessoas traziam ramos de flores, talvez pessoas empáticas com o que aconteceu ou mesmo familiares de alguém que lá viveu, mas ainda assim são estas pessoas que de vez em quando me lembram que o que aconteceu ali não é algo que vem de um livro de terror, não são histórias inventadas. Aquelas pessoas eram humanos verdadeiros com famílias verdadeiras. Como é que coisas como o medo, ódio, desejo de poder e abstinência de opinião permitiram que aquelas histórias se tornassem uma realidade?


A maneira como o museu está disposto permite que pessoas mais sensíveis que talvez se achem incapacitadas de o visitar, consigam fazê-lo. Vemos coisas muito mais macabras no nosso dia à dia na televisão. Mas existem outras partes menos complacentes. Salas que mostram, numa vitrina de uma ponta à outra, as duas toneladas de cabelo recuperados de sacas armazenadas que os alemães usavam para vender como têxteis. Milhares e milhares de sapatos puídos e rotos, retirados das pessoas à sua chegada, quando lhe entregavam socas de madeira. No meio de tanto sapato quase que se pode considerar um milagre quando encontras os únicos dois pares de sapatos completos.



Quando visitámos a câmara de gás em Auschwitz estava um pouco à espera de sentir o tal cheiro a queimado que as pessoas falam quando visitam o campo, mas tal não aconteceu. Foi depois de apanharmos o shuttle grátis que nos leva até Bikernau (Auschwitz II) que o tal cheiro se tornou presente. Dezenas (talvez até centenas) de crematórios estão dispostos, partidos e queimados de um dos lados do campo. Do outro lado estão as barracas onde os prisioneiros eram obrigados a dormir em três andares, apertados uns contra os outros por falta de espaço. Alguns até escreveram os nomes, com medo de serem esquecidos que ali estiveram, medo que a história os classifique como apenas mais um número que morreu no holocausto...









Para quem deseja saber: da estação de Varsóvia (Warszawa Centralna) existem comboios diretos para Cracóvia (Kraków Glowny) que variam entre os 15-75 euros, dependendo das horas e dias (eu aconselho a ir ao posto de informação na estação e perguntar qual é o comboio mais barato). A viagem dura cerca de 3 horas.




Quando em Cracóvia, é possível ficar num hostel e passar lá uma noite ou duas. (Cracóvia é uma cidade muito bonita e existem Free Walking Tours que contam a história da cidade e vos guiam pelos monumentos principais, isto é especialmente útil se forem um zero à esquerda com direções, estiverem constantemente a perderem-se com os mapas, e fervam em pouca água quando se começam a perder demasiadas vezes.*tosse* não estou a falar de mim *tosse*)

Para Auschwitz é possível apanhar o comboio (que para numa estação a 2km do museu e existem com menos frequência, ou um autocarro. Eu aconselho o autocarro (a estação fica no mesmo centro comercial que a estação de comboios). Os bilhetes custam mais ou menos 3 euros e os autocarros param mesmo no museu e dura 1,5h. Não é preciso comprar bilhetes de retorno, porque existem várias companhias de autocarros a diferentes horas, por isso o autocarro em que foram para lá nem sempre será o mesmo que voltam (não é preciso ficar dependente do mesmo). O nome polaco para Auschwitz é Oswiecim, por isso é esse nome que devem procurar quando estão à procura dos autocarros.

A entrada para o museu sem guia é grátis. Bilhete online no website é 30 euros para estudantes e 40 euros bilhete normal.