quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Livros Para Totós e Sheldon Cooper

Comprei recentemente um livro chamado "Writing a Novel and Getting Published For Dummies" (aquela colecção de Isto ou Aquilo Para Totós), podem rir, mas aquela coisa ajuda.

Mesmo que muitos de vós estejam menos inclinados para aceitar um livro intitulado de "Para Totós" como sendo uma fonte viável ou um livro para ter respeito, deixem-me dizer-vos que não podiam estar mais enganados.

Esses livros têm imensas páginas e são escritos por profissionais, muito dificilmente seria o tipo de livro que uma pessoa mesmo burra alguma vez leria.

Além disso a linguagem é leve e simples e sinceramente, depois de passar um dia inteiro em frente do computador a vasculhar ideias originais de dentro do meu cérebro, ou passar o dia inteiro na escola, ou depois de ter lido um livro que até é interessante, mas cuja linguagem é bué detalhada e faz-me perder imensas vezes na descrição, a última coisa que eu quero é estudar um livro complicado sobre como escrever.

Existem pessoas que são um bocado mais snobs quanto ao tipo de linguagem que gostam de ler, e isso é óptimo, eu adorava conseguir ser assim. Mas como não sou, preciso de ler algo que acompanhe a minha linha de raciocínio e não um livro em que leio três vezes a mesma frase, e mesmo assim ainda não consegui perceber o que lá está escrito porque preciso de parar para me concentrar.

Deixei-me perguntar-vos se vocês tivessem o Dr. Sheldon Cooper a ensinar-vos Física --- lembrem-se que ele vai ensinar até a etimologia da  palavra e isso é desnecessário para aprender física --- ou tivessem um professor que engole o hélio do balão e fala como uma voz aguda para vos explicar a ciência por detrás disso ou brinca com ímanes para mostrar que dois pólos com a mesma carga não se podem juntar, qual é que escolheriam? 

Ok, pergunta estúpida. Toda a gente escolhia o Sheldon porque, bem é o Sheldon Cooper. Mas muito provavelmente iríamos todos manter-nos muito mais concentrados na matéria e perceber mais de física com o professor Hélio. Porquê? Porque a simplicidade com que ele ensina mantém-nos mais interessados no que ele tem para dizer.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº7

Dica nº7: Controle a sua produtividade e motivação para escrever

O que eu faço para me obrigar a escrever todos os dias é, ponho o despertador com o objectivo de me levantar, faço a minha rotina matinal como se fosse sair de casa e depois sento-me na secretária à frente do computador. 

Alguns dias isto realmente funciona e as palavras saem como sopa de letras. Existe até mesmo dias que fico com dores nos dedos de tanto teclar e mexer naquele rato irritante do portátil. Mas também existe os outros dias. Tive mesmo um dia em que não parava de olhar para o documento do word em branco e veio-me à cabeça todos os escritores que provavelmente passam pelo mesmo, apesar de para eles ser considerado trabalho.

E este pensamento passou-me pela cabeça: Escrever é o único trabalho em que podes ficar sentado o dia todo a olhar para uma página em branco no computador e ainda assim chamar-lhe trabalho.

Soa melhor em inglês: Writing is the only job where you can sit all day, staring at a blank page in your computer, and still call it work. (Soa, não soa?)

O problema é que se tentarmos forçar a criatividade a sair isto pode acabar por ser contra-produtivo.

Praticamente todos os escritores estão de acordo que devemos ao menos tentar escrever todos os dias -- Ok, tenho andado a procurar e a procurar onde foi que li um artigo relacionado com isto, mas não encontro -- Um desses artigos dizia até para pôr o despertador para uma hora depois de começares a escrever, se depois do despertador tocar ainda não te apetecer escrever, então podes parar porque não estás mesmo para ai virado/a nesse dia. Volta amanhã! Outra hipótese até pode ser pôr a máquina de lavar a funcionar, se depois de ela acabar te apetecer mesmo ir tratar da roupa be my guest.

Mas hey, se tiverem ideias melhor sobre como enfrentar a preguiça, believe me, sou toda ouvidos.

Revisão: Dia Três

Considerando que realmente todos fizemos a parte um e parte dois, e não houve batotices como saltar capítulos ou passar logo para a parte dois, aqui vai a terceira parte do conselho de Roth.

Agora que os problemas gerais estão todos resolvidos, o que resta é
- Editar a voz
- Ter a certeza que as conversas de grupo não são confusas
- Checar se não existe outros parágrafos confusos e as pequenas coisinhas.

E para isso temos o período de reflexão. Rever o rascunho inteiro enquanto, se vai corrigindo estas pequenas coisas. Este processo é muito mais benéfico se leres lentamente o rascunho, ao invés de passares só com os olhos.

Algumas dicas:
1.    1-Força-te a ler lentamente. Cria objectivos como “Vou só ler um capítulo por hora, e vou apenas trabalhar X horas por dia”.
    
      2-Se começares a ver que estás a apressar-te ou irritada com o processo, PÁRA durante o resto do dia. Tu queres ser cuidadoso/a, pensativo/a, e meticuloso/a. Se não conseguires fazer isso num certo dia, coloca o rascunho de parte e faz outra coisa qualquer. Lê um livro! Trabalha noutra coisa qualquer! Dá uma pausa ao teu cérebro e volta no dia a seguir.
    
     3-Mantém um caderno de apontamentos por perto. Existem partes do rascunho que te podem fazer lembrar de outras partes que precisam de edição. Se andares para trás e para a frente nas edições perdes a linha da história. Mais fácil será se escreveres anotações e editares apenas quando chegares a essa parte.
  
   4-Imprime. Edições em papel pode ser uma boa maneira para te obrigar a ler lentamente (os meus professores aconselham) e não passar rapidamente os olhos pelas palavras como acontece no ecrã. Também é engraçado teres um molho de papeis e dizeres às pessoas “EU ESCREVI ISTO” (vou tentar)
   
     5-Lê as parte mais difíceis em voz alta. Vai ajudar. Irás reparar em frases estranhas ou inconsistências muito mais facilmente.
   
     6-Decide te um bom plano de “input”. O bom de imprimires o rascunho é que podes fazer notas logo no papel, mas eventualmente ele vais precisar de ser modificado no actual documento word. Esta parte pode ser um bocado aborrecida. O plano dela é deixar tempo todos os dias para fazer as mudanças, em vez de fazer tudo de uma vez. Mas se conseguires fazer tudo num dia inteiro, ainda melhor. O que funcionar melhor.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Revisão: Dia Dois

Ok, dia dois, este vai ser difícil de explicar.

No primeiro dia já fizemos a leitura e anotamos os problemas que havia em todos os capítulos, certo?

Agora temos a enorme lista de perdição. E o que fazer com ela? Dividi-la em dois grupos: problemas globais e problemas locais.

Problemas globais são aqueles que as soluções devem ser aplicada no rascunho inteiro ou grandes secções do rascunho, como a “a dinâmica destes dois personagens deve ser alterada” ou “o personagem principal deve pensar neste assunto periodicamente na história até um certo ponto.”

Problemas locais são os que as soluções só precisam de ser aplicadas para cenas específicas ou grupos de cenas especificas, como “ preciso de adicionar este desenvolvimento do enredo logo a seguir à página (vamos dizer página 394, porque é bem mais engraçado e lembra o Harry Potter)”

Problemas locais transforma-se em problemas globais quando, por exemplo, adicionas uma cena e tens de editar o resto do rascunho para poderes incluir essa cena, ou quando apagas tens de remover todas as menções dessa cena.

Depois de dividir a lista nessas duas categorias (e esta parte geralmente envolve mais anotações de problemas globais por que geralmente quando mudas um problema local crias um problema global) o que Roth faz é abrir o documento e divide o manuscrito em “movimentos” ou secções para tornar tudo mais fácil. Para cada secção escreve uma lista dos problemas globais que precisam de ser tratados. Talvez, não seja preciso de tratar deles em todas as cenas, mas é preciso ter noção que eles estão lá.

Depois, para cada cena ou episódio, faz uma lista das edições locais necessárias, podes até adicionar um comentário no próprio documento.

Depois, volta à lista e pensa acerca de qual será a secção mais difícil, ou qual o problema mais complicado e ataca esse primeiro. (Isso até é boa ideia, eu geralmente faço o contrário e podem adivinhar o que acontece? Quando lá chego já não tenho paciência).

Ela afirma que não se preocupa em editar fora de ordem, porque geralmente avança com uma secção de cada vez para não ficar confusa.  Quando acaba com cada secção, apaga os comentários extra que listam todos os assuntos globais dessa secção.

Tenta criar objectivos como “ esta semana acabo a secção 1”, o que significa que terás de fazer pelo menos uma cena todos os dias ou duas cenas por dia. Isto garante que te mantens-te motivado/a.

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº6

Dica nº6: Evite que o perfeccionismo afecte a sua produtividade.

Primeiro, ninguém é perfeito.


Segundo, de certeza que existe imensos posts por ai acerca deste tema, mas de momento o único que me vem à mente é o de Veronica Roth, em que ela aconselha a cantarmos o mais alto e horrível possível.

Passo a explicar:

Ela caracteriza-se como sendo perfeccionista e por isso nas aulas de voz tinha, muitas vezes, dificuldade em descontrair. O professor dela aconselhou que ela tentasse cantar a escala o mais alto e mais horrível possível. Para se deixar ir completamente sem se preocupar como soava.

O mesmo aplica-se na escrita.

Deixa que os teus primeiros rascunhos sejam o mais – e agora vou utilizar a tradução literal da palavra – “merdosos” possíveis.

Ela chega a incluir o excerto do capítulo ”Shitty First Drafts” (Primeiros rascunhos merdosos) do livro “Bird by Bird” de Anne Lammott.

“Perfeccionismo é a voz do opressor, o inimigo do povo. Irá manter-te apertado e enlouquecido a vida inteira, e é o principal obstáculo entre ti e o teu primeiro (don’t make me say it again) rascunho. Eu acho que perfecionismo é baseado na crença obssessiva que és capazes de ultrapassar com cuidado todos os percalços da forma correcta, para que não tenhas de morrer. A verdade é que vais morrer na mesma e muita gente que não está sequer a olhar para os pés vai conseguir fazer muito melhor trabalho que tu, e divertir-se muito mais enquanto o fazem.”

Primeiro, o teu rascunho irá sempre, sempre, sempre precisar de ser revisto e possivelmente reescrito. Não pode ser evitado.

Segundo, o perfeccionismo prejudica o esforço criativo, não apenas porque impede o progresso, mas porque também restringe a criatividade.

Ou seja, o perfeccionismo faz com que a tua arte preste ainda menos. E se tivesses feito o primeiro rascunho sem tentar ser tão proteccionista talvez ele tivesse saído melhor. Este última frase é dirigida pessoalmente a mim.

Quantos mais soltos e selvagens os rascunhos forem, melhor eles são.

Tenta ver esse exercício, não como aceitar o erro, mas como abraçar a liberdade.

Parte disto é tentar encontrar uma forma de te perder no teu trabalho. Submergir-te nele e deixá-lo ser desorganizado, feio e doido.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº5

Dica nº5: Elimine a autocrítica no início do seu processo de criação 

Quem está familiarizado com o efeito Dunning-Kruger?

"O Efeito Dunning-Kruger é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos, porém esta própria incompetência os restringe da habilidade de reconhecer os próprios erros. Estas pessoas sofrem de superioridade ilusória.
Por outro lado, a competência real pode enfraquecer a auto-confiança e algumas pessoas muito capacitadas podem sofrer de inferioridade ilusória, achando que não são tão capacitados assim e subestimando as próprias habilidades, chegando a acreditar que outros indivíduos menos capazes também são tão ou mais capazes do que eles."

Viva à Wikipedia, o meu site preferido.

Por isso, se estás a ter um problema com a confiança na tua escrita, isto ocorre porque ela é provavelmente boa. Além disso, nesta fase não importa muito como escreves, o que importa é que escrevas. Mesmo que este não seja o teu big break, vale a pena continuar a tentar.

Nas palavras de um peixinho muito inteligente e adaptando-a para a escrita: "Continue a escrever, continue a escrever, escrever, escrever." Todos adivinharam que era a Doris, certo?

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº4

Dica nº4: Inspire-se antes de começar a escrever

Esta é simples, certo? Quem é que nunca viu um filme e teve uma ideia alternativa para contar o mesmo tipo de história? Quem é que nunca ouviu uma música que parecesse digna de um soundtrack para uma cena romântica e não sentiu o cérebro logo a trabalhar? Quem é que nunca leu um livro e ponderou acerca de uma situação que ficaria bem na história?

Comigo começou tudo assim. 

Hoje, se tiver a ter problemas com a minha imaginação, paro de escrever coloco música e penso Ok! Se isto tivesse a acontecer contigo o que é que tu farias a seguir? Ou então, tens aquela cena que vem a seguir. Porque raio aquilo haveria de acontecer? O que é que a originou?

Por vezes, ouvir música enquanto vou na rua ou estou no ginásio, faz-me instantaneamente lembrar-me de algo que poderá vir a ser útil. Pequena imagens que aparecem muito rapidamente à frente dos olhos, mas que se concentrar-me nelas, dão origem a uma cena completa.

Inspiração é a base da escrita.

Revisão: Dia Um

Um conselho sobre revisão de Veronica Roth. Os dela podem nem ser sempre os melhores, mas serão sempre os mais divertidos.

Ela descreve os rascunhos dela como um “festival de caca”.

Os meus posso garantir que não ficam muito longe, principalmente no fim. Comecei a escrever com extrema atenção aos detalhes enquanto escrevia e fazendo enormes pesquisas antes de pôr no papel. Até ter lido que se calhar não estava a fazer muito bom trabalho. Eu sabia o que ia acontecer praticamente no livro inteiro, mesmo antes de sequer ter escrito o primeiro capítulo. Ou seja eu sabia o que vinha a seguir, o que eu queria que acontecesse, mas dava por mim bloqueada porque queria escrever de forma perfeita. Aqueles detalhes que não têm muita importância, mas que são essenciais para não parecer que estamos a despejar coisas eram por vezes o motivo dos meus bloqueios. Até que me deixei ir e deixei me escrever da pior maneira possível. Desde que aquilo sobre o que queria escrever ficasse contado.

Ela conta que existe partes que tão bem escritas e organizadas, enquanto outras partes faltam lhes foco e são simplesmente erradas. Partes que faltam, cenas que não escreveste mas que devias, personagens que deixaste de parte ou elementos do enredo que precisam de mais desenvolvimento.

Para este tipo deves te convencer a dar uma vista de olhos. Pode ter passado algum tempo desde a primeira vez que escreveste as primeiras cenas, por isso é uma boa ideia ver o que foi escrito anteriormente. Outra coisa que eu também faço, mas não devia, é voltar constantemente aos capítulos anteriores, por exemplo, eu quero referir algo no capítulo 13, mas tenho a sensação que já foi dito no 10 eu vou atrás e mudo o 10 para pôr no 13. Não devia porque só me estou a confundir mais, esses problemas devem ser resolvidos no momento que estás a rever. Porque ao estares a voltar atrás podes perder a tua linha de pensamento e esquecer o que ias  dizer a seguir.

O que Veronica faz é uma lista acerca dos problemas quando acaba o rascunho para não esquecer os problemas que já sabe. Alguns problemas:

- Todos os personagens, principais ou secundários têm um papel claro ou definido na história? Se eles parecem não estar presentes isso é algo explicado ou ponderado pelo personagem principal?

- Escreveste o fim de forma efectiva? No caso dela ou de alguns escritores, às vezes só descobrem o final a meio do livro, por isso a primeira parte do livro pode ser escrita direccionando para um fim completamente diferente do que actual.

- Como vai o movimento? Existe sítios onde anda demasiado rápido ou demasiado lento?

- Existe secções com “infodump”? Secções em que é a informação é despejada ao leitor tudo de uma vez em vez de ser revelada lentamente através do enredo. Acabei de descobrir recentemente que tinha realmente partes assim, por isso se forem daquele tipo de pessoas que não deixam ninguém ver o vosso trabalho, eu desaconselho.

- Existe personagens, cenas ou elementos do enredo que não se relacionam? Podes identificá-los perguntando te “se eu remover este evento ou personagem, serei capaz de escrever o final do livro sem perder muito?”

- Existe personagens, cenas ou elementos do enredo que precisas de juntar para o livro ser mais rico ou fazer sentido?

- Existe problemas lógicos ou inconsistências com a construção do mundo ou enredo?


- Existe alguma inconsistencia resultante de escrever cenas fora de ordem ou originadas da confusão do autor? Armas a desaparecer, personagens que estão em sítios que não deviam estar ou com nomes diferentes.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Como Rever

Um bom conselho do The Writing Center.

O conselho é mais para teses, mas houve algumas coisas que podem também ser aproveitadas para livros.

Porque razão rever é importante?
Escrever é um processo de descoberta e nem sempre produzimos o nosso melhor trabalho quando começamos. A revisão é uma oportunidade para olhar de forma crítica para o que escrevemos para vermos se:
  •  É realmente importante ser dito
  • Diz o que querias que dissesse;
  •   E se o leitor entende o que foi dito.

Praticamente toda a gente concorda que deves deixar esperar algum tempo desde que acabaste até voltares a olhar para o rascunho. Se eu tiver bastante empenhada sou do tipo de esperar umas horas, se não, sou mais do género de esperar umas semanas. Mas o objectivo é que se esperares, quando voltares ao rascunho serás mais honesto contigo próprio.

Nesta fase de revisão deves-te concentrar mais no problemas gerais do rascunho e não com as virgulas em si. Coisa que eu não faço, mas devia.

Whoa! Mas eu pensava que podia rever tudo num instante.
Ah! I wish! Se deixares esperar estarás a dar-te oportunidade para olhares para o que escreveste com os olhos mais frescos. É fantástico como aquilo que escrevemos e soava fantástico no momento acaba por provar ser uma gigante bosta quando lhe damos uma oportunidade para incubar. A sério é tipo a cena dos fungos. Quanto mais tempo deixas a comida a arejar, mais bichinhos vão aparecer.

Mas trabalhei tanto no que escrevi que não posso dar-me ao luxo de deitar nada fora.
Se quiserem ser escritores polidos, eventualmente descobrirão que não podem dar-se ao luxo de NÃO mandar nada fora. Como escritores, ocasionalmente escrevemos muito material que precisa de ser mandado às urtigas. Até agora no meu manuscrito ainda não mandei nada essencial fora, mas eu sei que quando chegar a um capítulo que escrevi ele provavelmente vai embora. E eu até gostava do capítulo, era dramático com um certo nível de romantismo. Mas utilizando exagerados gestos, estilo à Max Irons, “It served no purpose”. Como escritores devemos estar dispostos a sacrificar bocados de escrita pelo bem da peça completa. Eu ainda estou para ver como isto vai voltar para me lixar no futuro.
Um truque é não baralhares muito o que produzes no primeiro rascunho, porque quanto mais produzes, mais precisarás de trabalhar quando a parte de cortar vier.

Mas às vezes eu revejo enquanto escrevo.
Ya! Eu também faço isso. Aparentemente não é de todo aconselhável, mas pode ser.
Como escrever é um processo circular, não é necessário fazer tudo numa ordem específica. Às vezes escreves algo e remendas antes de passares à frente. Mas presta ATENÇÃO: existem dois problemas com esse processo. O primeiro é que se revês conforme vais escrevendo nunca tens oportunidade de ver o trabalho como um todo. Outro problema é que podes entrar em curto-circuito com a tua criatividade—isso já me aconteceu. Se passares muito tempo a remendar o que está nessa página, podes perder algo que ainda nem sequer está na página.

Como faço o meu processo de revisão? Alguns conselhos.
·         Trabalha através do papel. Os meus professores de Pratical Resources, por acaso, uma vez perguntaram me qual é que eu achava melhor. No papel ou no screen? Ao que eu respondi papel, porque o monitor cansa-me os olhos e aborreço-me mais depressa. Mas também coisas que parecem invisíveis no monitor costumam aparecer com mais nitidez no papel.
·         Lê em voz alta. Para poderes ver como as coisas fluem.
·         Não tentes fazer tudo ao mesmo tempo, pois podes começar a ficar cansado/a e problemas que detectarias tornam-se invisíveis.

Preocupações
O que se pode meter no meio de uma revisão?
Não te apaixones pelo que escreveste. Too late! ‘Tá feito. Mas se o fizeres tornarás-te hesitante em mudar, mesmo que não esteja excelente. Não ajas como se tivesses casado com a tua escrita. Age mais como se tivesse a namorá-la, vê se são compatíveis e descobre como é no dia a dia.

Como posso tornar-me muito bom a rever?
Faz muitas vezes. E…
·         Quanto mais produzires mais podes cortar.
    Quanto mais conseguires imaginar-te como o leitor, a ler pela primeira vez, mais fácil se torna para descobrires problemas.
·         Quanto mais exigires em termos de claridade e elegância, mais clara e elegante será a tua escrita.

Como é que eu revejo em termos de frases?
“Procura por sítios onde te baralhas ou perdes no meio da frase. É claro que é preciso de ser remendado. Procura sítios onde ficas distraído/a ou aborrecido/a – onde não consegues concentrar-te. Esses sítios são onde provavelmente perdeste a concentração na tua escrita. Corta as palavras extras e as coisas vagas. Procura a mais ínfima falha na tua leitura,  a mais pequena falha de energia ou concentração enquanto dizes as palavras… a frase deve estar viva.” (Peter Elbow, Writing with Power)
  • Procura sítios onde começaste a frase da mesma maneira mais do que duas vezes em ocasiões consecutivas e procura formas alternativas de escrever as mesma coisa OU combinar as duas frases.
  • Verifica a variedade das frases. Se duas frases seguidas começam da mesma forma (exemplo: Sujeito e verbo) tenta utilizar outro padrão.
  •  Aponta para precisão na escolha de palavras. Não te contentes com o melhor que consegues pensar no momento, utiliza um dicionário se for preciso.
  • Utiliza verbos específicos – substitui frases compridas com esses verbos. Por exemplo, “Ela argumenta a importância da ideia” substitui por “Ela defende a ideia”.

50 Dicas para Escrever Melhor - Dica Nº3

Dica nº3: Estude os textos dos seus escritores preferidos.

Cada vez que estou a escrever e chego a uma cena deveras importante faço sempre uma pequena pausa e penso OK! Como é queres que isto decorra? Às vezes a resposta é instantânea, mas por vezes é mais demorada. Quando isso acontece, geralmente pego nos meus livros preferidos e começo a vasculhar cenas aleatórias. Não porque quero copiar os trabalhos desses escritores, mas porque eles são para mim uma fonte de inspiração.

Por exemplo, eu quero que a minha personagem tenha um certo de Hermione nela, ela é inteligente e com uma personalidade forte, mas também possui um lado mais sensível. Para todos os efeitos, Hermione foi uma das minhas melhores amigas enquanto crescia e eu adoro-a. Ela mudou o mundo para as raparigas inteligentes. Mas a minha personagem é igual a Hermione? Não. Hermione tem uma capacidade de raciocino que a minha não tem, ela sabe sempre acerca do que se passa sobre o seu nariz. A minha por vezes anda meio perdida.

A minha relação com os livros de Richelle Mead, Vampire Academy foi amor à primeira página - Ho ho! Book Alert! Ok, deixem-me contar-vos acerca de Vampire Academy (Academia de Vampiros). Houve uma altura, ainda estou nessa altura, em que eu gostava de vampiros. Culpem o Twilight, culpem os Vampire Diaries, culpem o Sangue Fresco. Gostava, mas não era obcecada. Até que li Vampire Academy. Primeiro a personagem principal não tem nada a ver com a Bella ou com a Elena. A Rose é sarcástica, divertida, rebelde e impaciente, já para não falar na qualidade que eu mais admiro nela, super-protectora das pessoas que gosta. Foi amor à primeira página 'tou-vos a dizer. E a relação dela com Dimitri? Nem me façam falar acerca disso. - Voltando ao tópico como eu gosto tanto da personagem Rose, eu queria que a minha personagem tivesse uma certa dose dela, especialmente aquele humor sarcástico. 

(Sinceramente não percebo porque é que Vampire Academy não é um fenómeno maior que o Twilight)

As relações que eu mais adoro de ler, é aquelas que eu consigo realmente sentir a química entre os personagens através das páginas, por isso utilizarei a Tris e o Four de Divergente como exemplo. Quando
estou numa cena mais romântica vasculho as páginas de Divergente e vejo o que existe na escrita de Roth que me faz gostar tanto destes personagens juntos.

Mas a minha personagem também está um bocado instável devido ao que lhe aconteceu, e o melhor exemplo que eu conheço de instabilidade é o exemplo de Katniss dos Hunger Games. Podera, depois do que ela passou. 

Estão a perceber o que quero dizer? 

O conselho é procurem exactamente o que gostam acerca do escritor e tentem perceber o porquê.

Agora, eu referi o Twilight ali em cima. Também conhecido como Crepúsculo, escrito por Stephenie Meyer. Eu li o Crepúsculo quando estava numa fase menos boa da minha vida. Ou seja a atitude de Bella perante a vida e um bocado perante Edward no segundo livro identifica-se muito como o que eu estava a sentir. Não que eu estivesse perdidamente apaixonada por um vampiro. Mas também não estava estável. Essa identificação fez com que adorasse os livros na altura e apesar de ainda gostar - Come on! É sobre vampiros que vivem para sempre e um amor que tem um final... bem, não vou dizer mesmo que vocês já saibam. - Ainda gosto, mas por vezes tenho vontade de dizer à Bella para lutar um bocado mais com Edward, um bocadinho de discussão emoção nunca fez mal a ninguém.

Hunger Games, Suzanne Collins. Não conheço ninguém que não tenha lido os três livros Jogos de Fome em mais de uma semana. Eles são viciantes, real viciantes. Acreditem, eu tentei guardar o segundo livro para ler depois do filme sair, mas não consegui. E o terceiro li quase num dia. Quem é que não quer ler sobre a crueldade de um mundo que obriga crianças a lutarem umas contras as outras? Talvez não muita gente. Mas o problema é que a humanidade consegue ser cruel e não precisámos de olhar duas vezes para os gladiadores para descobrir que talvez não somos tão incapazes destas atrocidades. Suzanne Collins realmente passa uma mensagem que vale a pena de ser lida acerca dos problemas da guerra e a importância do amor e altruísmo.

Pesadelo da Revisão

Sabem que mais? Odeio editar. Odiar é uma palavra muito forte? Pois o que eu sinto acerca do assunto também é forte.

Era uma vez, uma menininha que pensou Yupi! Vamos escrever uma história. Ela adorou todos os momentos em que sentou na sua secretária a escrever, a inventar acontecimentos, a inventar personagens e até mesmo a inventar as suas histórias de fundo que nunca iriam aparecer no papel. Mas um dia um grande monstro malvado chamado Revisão chegou e tirou a felicidade toda da menininha.
Ela continua a lutar com ele até ao dia
.
Não me levem a mal. Eu ainda adoro a minha história, e seria capaz de a ler uma quantidade inúmera de vezes. O que me irrita, é ter de procurar todas aquelas inconsistências que não nos apercebemos quando escrevemos, os erros ortográficos, como por exemplo os acentos – Argh! Eu odeio acentos. Desde a primária que deixei de usar acento no meu nome. E agora que vivo em Inglaterra e eles não usam acentos, ainda pior – e as virgulas, esses monstrinhos, capazes de alterar o sentido todo das frases, são um pesadelo. Tudo isto está mais dentro da categoria de proofreading, mas quando estou a rever não consigo ser objectiva e concentrar-me só nos problemas evidentes do manuscrito, preciso de me concentrar em tudo.

Todas estas coisas tornam realmente desagradáveis. A sério hoje estava a rever um capítulo e acabei de ver que tinha escrito "mau" em vez de "mão". Percebem o que quero dizer com isto? Mas não só, também acabei por ter de substituir a palavra "mês" por "me" -- tinha acento e tudo. Onde é que eu tinha a cabeça? E expliquem-me porque razão haveria eu de pensar que estômago leva acento no "a"? Seriously, Patricia!!

É por estas e por outras que rever é importante.


Como basicamente tudo o que vou andar a fazer nos próximos dias é editar não se admirem se eu só escrever sobre revisões e edições.

AH! A minha colecção de Mortal Instruments (Instrumentos Mortais de Cassandra Clare) chegou hoje. Vou finalmente poder começar a ler. Depois eu conto-vos se gostei.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

50 Dicas para escrever - Dica nº2

Dica nº2: Decida os géneros que quer escrever.

Eu basicamente leio tudo o que contém letras. A minha mãe sempre me disse que se o papel higiénico tivesse letras eu leria também o papel.

Mas lá porque assim que pego num livro para ler faço um pacto comigo mesmo que tenho de o ler até ao fim, não significa que gosto de todos os livros que leio. E muito menos que gosto da mesma forma.

Da mesma forma, todo o escritor tem um género com que sente mais confortável. O meu? Literatura Juvenil. Não só porque é o género que também gosto mais de ler, mas porque é o género em que as ideias me ocorrem com mais fluência.

Eu vejo milhares de programas policiais - eles são tantos não é verdade? C.S.I, N.C.I.S, Mentes Criminosas, Mentalista, Ossos, Casos Arquivados - tantos que às vezes consigo até mesmo saber quem é o assassino assim que o episódio começa. Mas lá porque isto acontece, se tentasse escrever sobre este género ia precisar de fazer horas de pesquisa sobre temas como leis e outras coisas que eu acho aborrecidas. E não ia achar piada nenhuma escrever. Já para não falar na quantidade de bacoradas que ia cometer.

Existem talvez, escritores capazes de escrever mais que um género. A fantástica J. K. Rowling é prova disso. Mas como nem todos nascemos génios alguns têm de se especializar num só tipo.

Seja o género que escolheres não te esqueças de ler todos os livros do mesmo género que conseguires, de fazer uma enorme pesquisa e  lembra-te que não há benefícios sem sacrifícios.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever - Nº1

Dica nº1 : Crie o hábito de organizar palavras em ideias.

O meu irmão está numa de começar a fazer desporto a sério, mas mesmo a sério. Então tirou da internet alguns vídeos de motivação atlética. Ele mostrou-me alguns, mas não me lembro de todos.

Uma das frases que ficou-me mesmo na cabeça foi esta "You say you're not good at math? That's because you never studied! You say you can't write? That's because you never written before!"

A tradução da matemática não é necessário, mas a escrita diz: "Dizes que não sabes escrever? Isso é porque nunca escrevestes antes". E isso é tão verdade. Mais uma vez vou roubar uma citação do blog de Veronica Roth que não pertence mesmo ao blog dela, mas sim a Macklemore:

"The greats weren't great because at birth they could paint
The greats were great 'cause they painted a lot"

A tradução é: "Os bons não eram bons porque à nascença sabiam pintar/ Os bons eram bons porque pintavam muito".

E acontece o mesmo com a escrita. Nunca saberás se és bom a escrever se nunca tentares.

Eu comecei assim: eu queria que a minha professora da primária nos mandasse escrever uma composição acerca de ilhas para poder escrever aquela história que eu tinha na minha cabeça. O quarto ano acabou e ela nunca mandou escrever uma composição com ilhas, por isso peguei num lápis e num papel e escrevi a minha primeira história.

Para o meu projecto de agora foi:uma ideia apareceu-me na cabeça... mas também muitas ideias aparecem e não significam que eu deva perder tempo com elas, mas aquela chamou-me à atenção... Peguei num livro de apontamentos e comecei a escrevinhar as ideias. Onde seria a acção? Quem, como eram as personagens? Qual seria o tipo de ambiente emocional que a personagem principal tinha? Quantas mini-acções é que eu queria que existisse até atingir o climax da história? E assim por adiante.

Depois escrevi o primeiro capítulo, porque para mim foi o que desenrolou a história toda. E parei. Parei de escrever, mas não de pensar nisso. Passei séculos a fazer pesquisa até ter uma pequena ideia acerca do material que fala a minha história (Thank God for the Internet! Porque sem ela nunca teria feito nada. Como é que as pessoas escreviam antigamente?). Quando já tinha essa parte feita continuei.

"Comece a escrever qualquer coisa, não importa se é o começo, meio ou fim de uma história."





Pontos de Exclamação!!!!!

Mark Twain diz para nunca utilizarmos pontos de exclamação, é como rirmos da nossa própria piada. Não, na verdade não é Mark Twain que diz isso, mas o "Me" de "Marley&Me" (está na minha lista de livros para ler, mas nunca li. Só vi o filme).

O que Mark Twain diz é qualquer coisa do género "O narrador de uma anedota nunca censura o objectivo da piada; ele grita-a sempre. E quando a imprime, em Inglaterra, França, Alemanha e Itália, ele coloca-a em itálico ou com um ponto de exclamação, e às vezes explica em parênteses. Todas estas formas são deprimentes e dá vontade de renunciar a piada e viver uma vida melhor."

MUITO DRAMÁTICO!!!! 

Com a quantidade de coisas que já li, não fazem ideia da quantidade de escritores que têm problemas com pontos de exclamação, itálicos, negrito e pontos de exclamação. Ya! Eu disse duas vezes pontos de exclamação para fazer ênfase, muitos não gostam MESMO--- AH! Outros também não gostam do uso excessivo de CAPSLOCK. 

No blog de Rachelle Gardner, uma agente literária, ela até dá um bom conselho.
Para não dares a impressão que és um amador tenta utilizar este tipo de escrita com moderação. 

O que podes até fazer mesmo é: escreve tudo com um ponto final. Quando voltares a reler o teu manuscrito é que podes colocar um ponto de exclamação onde é necessário. Se por acaso falhares uma frase onde dantes terias posto um ponto de exclamação, mas agora já não colocaste é porque provavelmente não era necessário.

Outra escritora e editora que também possui um blog (nestes dias quem é que não tem?), Writing Widly Editing Services, também fala nisto.

O uso do ponto de exclamação serve para o escritor mostrar uma certa quantidade de entusiasmo. Se vais usá-lo em todos as tuas frases, vai dar a sensação que os personagens estão a gritar um com o outro. 

Mais ainda, o ponto de exclamação é suposto dar mais importância a uma certa frase, se todas as frases o tiverem basicamente são todas iguais.

Livros para jovens adultos ou infantis geralmente têm mais exclamações que os outros, porque os adolescentes são criaturinhas eufóricas e as crianças entusiasmam-se com tudo o que vêm, mas mesmo assim tenta não utilizar em demasia.

Tenta utilizar verbos ou nomes melhores em vez dos pontos ou então guarda-os para quando os personagens mandam SMS. 

Deixo aqui uma imagem do que é um ponto de exclamação se ainda não tiverem uma ideia.

domingo, 15 de setembro de 2013

A Mochila, Um dos Melhores Conselhos

E agora, o momento para o qual temos esperado... --- eu ando a escrever isto com plena consciência que neste momento ainda ninguém lê o meu blog. Até mesmo amigos e conhecidos devem pensar: "aquela pirou de vez. Eu bem sabia que não devia ter desistido da medicação". A eles quero responder: por favor, não leiam este blog com a minha voz na vossa cabeça ou nunca mais serei capaz de vos olhar nos olhos.

Certo. E o momento é... conselhos.
Pensei em começar com o número de palavras que se deve escrever, não imaginam o número de sites que existe acerca disso. E depois pensei: se eu ainda nem sei sobre o que escrever ou como escrever, o que vou fazer com um conselho acerca da quantidade de palavras? Por isso mudei de opinião e mudei para outra.

Por vezes estou a ler e penso, AH! Este conselho dá mesmo jeito, deve ser um dos melhores, mas logo a seguir leio mais e penso, não, este conselho é que é, e assim por adiante. Como não me decido acerca de nenhum deles mais vale começar por algum lado.

O conselho que Veronica (eu trato-a assim porque somos melhores amigas) mais refere é a mochila.
É um conselho mais para revisão, mas também serve para termos uma ideia do que escrever.
O conselho não é originalmente dela, mas de uma professora. Se fosse num texto formal ficaria assim "V. Roth, 2010, citado por S. Seliy, não sei quando"

Basicamente é isto:

Imagina que vais embarcar numa enorme viagem A PÉ no meio do nada e tens de colocar tudo o que precisas numa mochila.

Precisas de um secador? Não. Mesmo que o quisesses levar não havia fichas, certo? Desnecessário.

Ou seja, na escrita fazes o mesmo. É realmente necessário descrever tudo acerca do que o teu personagem faz? Ela foi à casa-de-banho a esta hora e a seguir lavou os dentes (não irias colocar isso no teu livro, mas é só um ponto exagerado). A cena é que não precisas de descrever tudo o que os personagens comem ou vestem ou fizeram o verão passado se não contribui para a tua história.

"Se não contribuem para a construção da personalidade dos teus personagens, tira"

Ou ainda por exemplo, imaginemos que existe uma arma na cena, mas não vai acontecer nada de especial com aquela arma, só está lá. Então tira. Não podes introduzir um elemento interessante como esse se depois não vai ter objectivo nenhum no resto da cena.

Eu por acaso não costumo ter muitos problemas com esta parte, muito pelo contrário tive de acrescentar muitas descrições porque basicamente as cenas ACONTECIAM. E quando voltei a ler pensei, isto é tudo muito giro, mas a personagem está a entrar num novo mundo, é preciso saber porque é que ela não para de olhar para todo o lado enquanto os outros falam.

Já leram Criaturas Maravilhosas? É um livro fixe, e óptimo para quem é fã de romances impossíveis. Mas tem umas freaking 600 páginas. Algumas vezes com coisas que eu sinceramente dispensava. Como o Ethan a tomar o pequeno-almoço, o Ethan a ir para a escola e qual o caminho que ele vai etc. Quando coisas assim acontecem eu geralmente desligo o cérebro automaticamente, continuo a ler, mas não presto atenção até algo de interessante acontecer.

Por isso, pensa sempre se os pontos menos virtuais contribuem para os pontos virtuais da tua história.

Regras

Primeiro de tudo, se eu alguma vez tiver a coragem, sorte, determinação e o esforço necessário para publicar um livro, terei de dar os meus agradecimentos a Veronica Roth. Eu não a conheço, nem tão pouco ela a mim, mas o seu blog e conselhos ajudaram-me mais que tudo a escrever.

É claro que agradecer agradecer devo agradecer a J. K. Rowling. Foi graças à sua obra que eu, quando li o Harry Potter e a Pedra Filosofal, me apaixonei pelos livros. A partir daquele momento a minha vida foi alterada e nunca mais nada me foi tão belo quanto abrir uma página de um livro e começar uma nova aventura (DRAMA!!). Podem dizer o que quiserem de Rowling, mas ninguém pode negar o seu talento e imaginação. Ela é capaz de escrever com um detalhe impressionante que chega a ser assustador. Até mesmo para quem não gosta de bruxaria, pois ora bem ela também escreve outros géneros. 

Quanto a Roth? A escrita dela é simples e faz qualquer um apaixonar-se pela leitura. Não tem aquele tipo de linguagem romanceado e dramático que por vezes adormece as pessoas. Quem leu Divergente sabe que é um livro que realmente conta o que aconteceu, não há enroles e linguagem complicada. Daquele tipo em que ficamos sim, isto é tudo muito bonito, mas já adormeci há três páginas atrás só com a tua descrição daquele ramo de árvore. Quando é que começa a história? Não, ler os livros dela é quase como ler um guião de um filme-- é assim que as coisas se passam, não te vou aborrecer mais-- E a química entre os dois personagens principais? É tão palpável que por vezes eu própria tinha borboletas no estômago só de ler. Definitivamente um must em qualquer lista de livros para ler.

E agora vocês dizem, mas ela disse-nos que ia dar muitos bons conselhos de escrita porque infelizmente todos os outros blogs estão em inglês e eu não percebo nada dessa língua... Ao que eu respondo: deviam dar-se por contentes por isto ainda estar no inicio. Ainda é novidade e hei-de escrever praticamente sempre que me lembrar porque ainda estou entusiasmada. Quando já tiver passado algum tempo (nessa parte já estarei nas traduções, a parte interessante) irei perder um pouco a estaleca e aí não serei tão assídua nos posts... perguntem ao diário. Ele é abandonado durante meses a fio... E respondo ainda, este é o meu blog e existem regras.

Regra nº1 - Fazer listas. Porquê? Porque gosto de listas.

Regra nº2 - Sempre dar indicações de como encontrar o artigo original quando traduzimos um conselho.

Regra nº3 - Se falamos acerca de um escritor e conhecemos algumas das suas obras, referimos-as. Daí a minha demonstração com J. K. Rowling e Veronica Roth.

Regra nº4 - Não ter medo de fazer figura de parva... um bocado como pareces na regra nº1. Porquê? Eu explico. Já referi que leio blogs de escritores, não já? A coisa é, eu nunca gostei de ler blogs. Achava aborrecido. Até a data em que uma amiga me mostrou o da Veronica Roth (podes te calar com ela? Bolas, és irritante.... 'tou a brincar... vou continuar a falar dela porque a acho fantástica). Enfim, a maneira como ela escreve no blog dela é tão descontraído e por vezes auto-depreciativo que dá vontade de continuar a ler. Não adormecemos. Já li outros blogs e nenhum me incentiva tanto quanto o dela. Por isso, aprendi que não faz mal fazer figuras de parva se isso ajudar as pessoas a continuar a ler.

Regra nº 5 - Fazer uma lista do porquê ler deve ser incentivado.

Regra nº 6 - Evitar as asneiras. Eu não sou muito de falar asneiras por isso quando digo dá para perceber que estou mesmo furiosa com a situação... mas mesmo a deitar fumo pelas orelhas... É como daquela vez que estava no carro com uma amiga, e ela é que estava a conduzir. Desde que a conheço dá para contar pelos dedos de uma mão quantas asneira ela disse, e quando ela estava a conduzir e saíu-se com "merda" quase tive que me controlar para não me rir, porque a situação nesse momento tornou-se hilariante, mas podia embaraçá-la na condução.

Por isso aí têm... de certeza que me hei-de lembrar de mais regras. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Alguns Sites Portugueses Com Conselhos

No post anterior referi que encontrei uns poucos sites portugueses que davam conselhos sobre escrever. 
Basicamente foi isto que encontrei.

1. Para escrever temos que ler muito lentamente e depois trabalhar, escrever mesmo cada dia.
(A parte do ler está conferida, a parte do lentamente... hun nem por isso. Escrever todos os dias... tento. Tento mesmo. Nem que sejam apenas 400 palavras)

2. Ler os clássicos. Viver intensamente. Nunca ser ingénuo.
(Li poucos. Nem por isso. Tento)

3. Nunca esqueça que não há evidência nenhuma de que alguém esteja minimamente interessado no que você tem a dizer. 
(Este foi um dos meus preferidos)

4. Escreva
    Edite
    Escreva
    Edite
    Escreva de novo
    Edite de novo
(Acho que é isto que ele diz porque não sou perita em criptoanálise) E deixe repousar por um par de meses. 
     Ou seja, se é preciso começa tudo de novo.

5. Não pare. Mas se você parar, não se sinta um fracasso. Você talvez tenha escapado de um destino difícil. Mas não pare.

6. Insista. (Não existe melhor conselho)
(Apoiado)

7. Primeira obrigação de quem quer ser escritor é ler muito. Parece óbvio mas não custa repetir: ler, ler, ler.
Outras dicas é sempre estar atento, curioso à história das pessoas, às pessoas, à vida, ao mundo.
Nunca se afastar do mundo.

Quando comecei toda esta cena encontrei este blog da sapo chamado Escrita e Escritores que supostamente servia para dar conselhos deste género e eu pensei Olha que fixe finalmente um site que eu possa mostrar à minha amiga que não sabe muito de inglês. Abri e qual foi a minha surpresa? Os conselhos são todos um bocado óbvios. "Toda a pessoa que escreve é escritor". Olha 'brigado. Agora diz-me algo que eu já não saiba, por favor. "Cada escritor começa como um principiante". Nop, ainda não foi desta.

E assim por adiante. Tudo bem que são as bases que uma pessoa deve ter acerca de escrita. É óbvio que eu não devo esperar grande coisa da minha parte na primeira vez que pego no pc e abro o word para  escrever. Não vai sair dali nenhum Romeu e Julieta e muito menos um Lusíadas. É preciso treino. 
O que me chateia é o facto de que basicamente esses são os seus únicos conselhos. Não avança muito mais.

Neste site estão dispostas 50 dicas acerca de escrita. Ainda não tive oportunidade de as ler todas, mas pareceu-me algo de interessante para partilhar. Não existe conselhos em excesso. O máximo que pode acontecer é o cérebro entrar em curto circuito e já não saber distinguir um conselho de... sei lá... qualquer coisa muito má.





Conselhos Para Jovens Escritores

Algo sobre mim: eu não tenho amigos escritores. Nem sequer mantenho uma relação de amizade com os meus antigos professores de Português. Nunca fui publicada, nem tenho conhecimento acerca do ramo.

Mas uma coisa é certa: eu leio. E leio muito. E basicamente tudo o que leio absorvo e ponho em prática. Mesmo que por vezes o faça inconscientemente.

Por exemplo, dantes eu tinha vergonha de muitas coisas que escrevia. Achava-as demasiado emocionais, infantis ou que nunca iriam ter lugar na minha história--- Ah! Outra coisa sobre mim: eu escrevo. Escrevo desde os 9 anos. Quando me apercebi que os contos de fada não eram factos verídicos, e por isso a minha vida nunca seria tão fascinante quanto os heróis a faziam parecer. Desde aí comecei a inventar as minhas próprias histórias--- Voltando ao tópico. Mesmo nos meus cadernos de apontamentos, que para mim são quase tão secretos quanto o meu diário, por vezes evitava escrever coisas com medo de ficar embaraçada quando as relesse.

Um dia estava a ler o livro Beautiful Creatures (tradução Criaturas Maravilhosas) de Kami Garcia e Margaret Stohl--- Que fala acerca da personagem Ethan Wate que achava que nada de especial acontecia na sua terrinha aborrecida, até se mudar para lá a misteriosa rapariga que costumava aparecer nos seus sonhos, Lena Duchannes (rhymes with rain). O problema é que Lena não é uma rapariga normal, todas as raparigas da sua família herdam uma maldição que decide o seu futuro quanto estas fazem dezasseis anos. E vocês conseguem imaginar o resto, e se não conseguirem aconselho a lerem o livro porque vale a pena. Especialmente se adorarem um bom romance--- A personagem Lena também escreve. Está sempre a escrever. Até mesmo nas paredes ela escreve. E nem sempre são coisas com sentido, às vezes são apenas frases soltas. E eu pensei: se ela até escreve onde as pessoas podem ver, porque razão não sou capaz de escrever onde ninguém vai julgar? A partir daí escrevo tudo o que me vem à cabeça, por mais confuso e embaraçoso que seja. Escrever, escrever, escrever.

Outra razão pela qual estou a escrever este blog é porque ando a ler blogs de outros escritores e os conselhos que eles dão são realmente muito bons. Foi graças ao blog de Veronica Roth que consegui reunir coragem para trabalhar todos os dias na minha história. Mesmo quando não me apetece, basta ler uma página do blog dela e fico logo inspirada. O problema é que ela escreve em inglês. Maior parte desses blogs são em inglês. Cheguei a procurar coisas dessas em português e nada… não existe blogs com conselhos desses géneros… pelo menos que eu tenha conhecimento. Eu também sou impaciente e se algo não está na primeira página do motor de busca já não procuro mais. Mas cheguei a encontrar alguns que têm uma certa utilidade.

Então… eu sou portuguesa, mas tenho muito bom domínio do inglês. Tenho de ter para viver em Londres e tirar uma Licenciatura em Tradução. Por isso decidi que iria tentar traduzir alguns desses conselhos e explicar como eles me ajudaram na criação da minha obra--- que mais uma vez repito, não foi publicada nem sequer está em vias de…

Mas tentar não custa. Nunca se atinge nada sem trabalho.