sábado, 19 de outubro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº 9

Dica nº9: Teste as suas ideias de história.

Não tenho muito mais para acrescentar, mas aconselho a lerem o post original. É em português, não têm desculpa.

Transições

Uma coisa que de vez em quando exige um certo esforço é transições. Não é as transições dentro de um parágrafo para o outro, com essas eu passo bem, mas as que estão dentro do mesmo parágrafo.

Se escrevêssemos um capítulo por cena ficaríamos com mais de cem capítulos num livro e alguns só tinha uma página ou até mesmo meia página. Conseguem imaginar?

É por isso que existem transições.

O melhor método é incluir uma pequena descrição ou uma linha de pensamentos do protagonista, mas muito disto pode aborrecer o leitor. Outra possibilidade é deixar uma linha em branco no meio da página. Nunca viram este símbolo * num livro?

Eu não lido muito bem com transições dentro mesmo capítulo, por isso muitas vezes a minha informação é despejada num BUM-BUM, que baralha quem não está dentro da minha cabeça.

Estou a falar a sério, uma vez acabei um parágrafo com: “Quando me sentei no lugar do condutor já os dois tinham desaparecido.” E o parágrafo seguinte começava com: “Entrei em casa e enfrentei o silêncio da noite.” Onde é que eu tinha a cabeça? No mínimo podia ter posto uma linha de intervalo!

Agora estava a rever e dei por mim com uma situação semelhante, mas não tão má. É uma cena onde está tudo a discutir a possibilidade de estarem em perigo, mas a seguir já estão todos a divertirem-se. Como é que isto acontece? Olha que engraçado estamos em perigo de vida? Mais vale aproveitarmos para estar com amigos! Ou algo do género.

Por isso andei a fazer uma pesquisa e foi isto que encontrei:

As cenas de transição são como pontuação (é muito mais engraçado em português porque rima). Eles actuam como pontos finais, terminando uma acção, ou como travessões, permitindo aos leitores uma pausa. Elas podem deixar uma pergunta em mente, ou acabar com um ponto de exclamação, de forma a que os leitores fiquem ansiosos para saber o que vem a seguir.

As transições, definitivamente, não devem pôr ninguém a dormir ou fazer com que percam o interesse no que vem a seguir. E, saltar para uma outra cena demasiado cedo pode fazer com que o leitor se sinta traído ou confuso.

As transições precisam de estrutura, e requer pensamento avançado. Tens que pensar sobre onde é que o teu personagem acabou de estar para poderes terminar a cena, e precisas de pensar aonde é que o personagem precisa de estar a seguir, para teres a certeza que consegues fazer uma transição suave.

Transições devem levar os leitores a soltar um suspiro animado ou a acabar em suspense para que não consigam resistir em virar a página seguinte. Escreve de maneira a deixá-los com uma resposta emocional “Oh, tão triste!” ou “Oh, tão querido…”

Assim, quando voltar a pegar no livro, o leitor não se vai procurar com a quantidade de horas que passaram entre a pausa.


Por isso, vou voltar ao trabalho e esperar que consiga realmente pôr em prática aquilo que escrevo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

É o conselho: "não pares de escrever", inútil ou o melhor conselho?

Honestamente, não me consigo lembrar de tudo o que já disse neste blog, mas sei que ainda não traduzi este conselho. O grande ponto nem é tanto o conselho, mas algo que li em “Escrita para Totós”.

Ok, Veronica Roth, de vez em quando fala de uma conferência qualquer para escritores amadores e profissionais, NaNoWriMo, mas como nunca participei em nenhuma não posso saber exactamente do que é que ela está a falar. Acho que é qualquer coisa a ver com escrever um romance num mês. É de doidos, certo?

O problema com isto é que tens de escrever, non-stop! O conselho que ela dá é “não olhes para trás”, não te preocupes com o facto de parecer desleixado. Ela deu o exemplo de duas coisas que escreveu, um manuscrito que nunca foi publicado e ela escreveu sempre a mudar as coisas e o livro que agora vai ser filme, Divergente, e ela escreveu até os dedos doerem-lhe. Por isso podes ver como o conselho pode dar jeito.

Ideias:

1- Quando acabares o manuscrito, ele vai estar cru, tão cru quanto qualquer outro. Não podes impedir que isto aconteça.

2- Comete-te. Nunca voltes atrás para verificar alguma coisa. Esqueces-te do nome dos personagens, que importa? Inventa um novo e muda no fim. Se voltares para trás nem que seja por um segundo, podes dar cabo do teu momento.

3- Escreve tudo exactamente como te vem à mente, mesmo que sejam apenas bocados de cenas diferentes. Podes acabá-las mais tarde. Podes até escrever em parêntesis, [nesta cena, o personagem principal tem uma luta de comida no refeitório] se não te apetecer realmente escrever a cena (foi o que fiz com os últimos dos meus capítulos, demorava séculos a pensar na descrição dos cenários e a fazer pesquisa de imagens para me inspirar, que dava por mim a ficar cansada antes mesmo de ter escrito algo de jeito. Ou então temia o momento em que tinha de ir escrever porque já sabia que ia ficar stuck. Este também foi um dos melhores conselhos que ela me deu).

4- Não fiques stuck. Nem te permitas acreditar que podes ficar stuck. Começa a produzir ideias e a junta-las como uma máquina produtora de ideias. O teu cérebro ficará habituado a despejar cinco planos diferentes de uma vez e por isso não ficas sem ideias. O melhor sentimento é que  iras-te aperceber que estás com um monte de ideias e ainda assim continuas a imaginar novas.

5- Toma notas para evitar aquele sentimento de que fizeste asneiras. Por exemplo, toma nota do que queres mudar mais tarde, para não te esqueceres, mas não mudes. “Acabaste de parar uma hemorragia, mas ainda precisas de levar pontos mais tarde” (palavras dela, não minhas).

O que nos leva ao exercício super engraçado que encontrei no livro dos totós, mas que ainda não tive oportunidade de o pôr em prática, porque não me posso dar ao luxo de escrever novas coisas quando tenho tanta coisa que devia estar a rever.

O exercício serve para treinarmos o ponto 4 e chama-se “escrever páginas rápidas”.

Pega num bloco de notas e numa caneta e limpa toda a secretária. Coloca no temporizador cinco minutos. E agora ESCREVE.

Escreve ABSOLUTAMENTE aquilo que quiseres, não importa o quê. Escreve coisas sem nexo, escreve com nexo, escreve com erros ou sem. Não importa.

A única coisa que importa são estas regras.

- não pares de pensar

- não te atrevas a levantar a mão do papel

- não risques nada, nem revejas o que escreveste. Se achas que estas a olhar muito para cima, tapa.

- não deves acobardar-te de escrever nada, por razão nenhuma. Se hesitares e achares que não é uma coisa boa de se escrever, então significa que deves escrever. Quanto menos quiseres escrever, mais precisas de escrever. Não permitas que existem áreas interditas na tua imaginação.

Ninguém vai ler. É para o teu bem.

Quando acabarem os cinco minutos. Massaja as mãos, faz uma pausa com kit-kat e volta a fazer mais cinco minutos. Faz isto três vezes ou se conseguires, faz duas sessões de 10 minutos.

Ao fim de 15 minutos vais ter uma data de páginas cheias de ideias. Até podes nem usá-las agora, mas podem ser úteis um dia. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº 8 (Harry Potter Spoiler Alert!)

(Existe conteúdo que pode estragar o final de Harry Potter nos dois últimos parágrafos)

Dica nº8: Aprenda a provocar emoções com palavras.

Aparentemente, abrir o word e escrever: "era uma vez, um rapaz que ia passar a estrada, foi atropelado e morreu", não é o suficiente. Vá-se lá imaginar porquê!

Primeiro é preciso criar uma certa empatia pelo pobre coitado. Não quero parecer cruel, mas estou-me a borrifar se o rapaz foi atropelado ou não. É uma história, e a partir dai já estamos treinados a lembrar-nos que não é verdade. A razão pela qual os livros nos fazem rir, chorar, temer pela vida dos personagens é porque criamos uma certa conexão com eles. 

Se me disserem que o rapaz tinha acabado de sair do café com dois cappuccinos na mão, porque estava prestes a encontrar-se com a sua namorada que não via há que séculos, porque tinha acabado de chegar de uma missão no Iraque. Se juntarem ainda que depois de almoçar com a namorada ia ver a mãe. E se ainda juntarem o facto que ele era um herói de guerra que salvou um colega de um carro em chamas. Aí, eu já começo a sentir pena do rapaz. 

Porquê? Afinal de contas continua a não ser verdade.
A maneira como a história é contada importa. 

Primeiro tínhamos apenas um desconhecido a ser atropelado. Agora temos uma pessoa que ia se reencontrar com a namorada. Uma namorada que perdeu o namorado. E uma mãe que acabou de perder o filho. E como se a situação não fosse má, a pessoa que acabou de morrer era uma pessoa boa. Não um atrasado mental que se não morrer debaixo de um carro, temos vontade de o atirar para o caminho de ferro quando o comboio está a passar.

Para provocar emoções no leitor é preciso fazê-los visualizar a situação e imagem com palavras e dar informações acerca da personagem que nos permita criar um laço.

Porque razão acham que chorei que nem uma bebé quando o Sirius e o Dumbledore morreram? Porque razão ainda não consigo perdoar a J. K. Rowling por ter morto o Fred (em vez do Percy, com quem eu não tinha ligação uma ligação tão grande). E porque razão é que acham que eu passei a página em que o Harry e a Hermione não sabem do Ron, na sala das necessidades, a murmurar "oh, por favor não, o Ron não, o Ron não"? Por causa da minha ligação com os personagens. 

Devo admitir, Harry Potter foram os únicos livros que me fizeram chorar, mas mesmo que não tenha chorado nos outros, não significa que não tenha tido vontade de bater nos escritores dos outros livros que li, e não significa que não tenha dito uns comentários bastantes ofensivos quando coisas destas aconteciam. E mesmo insultando-os, posso garantir que os livros que me fazem sentir assim são os meus preferidos.