quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Como surgiu a ideia original e agora? Escrever a sequela!

Oh… Veronica Roth! Não sentiram falta dos conselhos dela? Eu senti!

E agora que um novo capítulo se aproxima qual é a melhor maneira de voltar a falar sobre os seus conselhos a não ser com um conselho sobre a continuação de histórias, sequelas.

Pois bem, escrevemos um livro, conseguimos arranjar uma editora que o publicasse, publicámos o livro, e agora? Fácil. Continuamos a escrever. Tenha a história continuação ou não, a resposta é a mesma. Já acabaste esta história? Ótimo! Passa para outra.

Mas se a tua história ainda não acabou…

A minha grande mentora, no que toca a conselhos sobre escrita, também possui um para me inspirar agora. 

Ok, imaginemos o seguinte: “há muito, muito tempo era eu outra criança” (não, não era porque não foi assim há tanto tempo). Mas há algum tempo atrás surgiu-te uma ideia, uma pequena ideia, mas que mereceu a tua atenção e decidiste começar a explorar. Essa ideia pode ter vindo apenas como uma imagem, a minha foi a imagem de uma árvore rodeada de nevoeiro, e como por instinto logo descobri aonde é que essa imagem pertencia. É nestas alturas que a mente humana me surpreende; a importância que uma simples árvore teve na minha vida.

HALLO! Terra chama Patricia, estás a desviar-te do assunto. Onde é que eu ia?

Uma imagem aparece-te na mente, a imagem de uma árvore, na altura menos oportuna (a aula de Álgebra), mas por sorte tens o teu caderno de apontamentos contigo, e quem é que quer ouvir a senhora a falar de matrizes e uma data de zeros e de uns? (OMG! Acabei de descobrir que a razão pela qual chumbei a Álgebra foi por causa do meu livro). Mas continuando, pegas no caderno de apontamentos e escreves: "Ideia para livro". Neste ponto os personagens são conhecidos como rapariga e rapaz. No final da ideia tens: pesquisar isto, isto e aquilo. E ainda Ideia A, Ideia B, Ideia C e Ideia D.

Três anos depois de sonhares acordada tens um livro escrito, quatro anos depois tens um livro publicado. E agora?

Quando a imagem da árvore me surgiu, muito próximo do dia de Halloween, nunca tinha pensado em tornar o meu livro numa trilogia. A ideia original era apenas um livro que punha um ponto final à história de Lilly, mas conforme comecei a escrever ideias novas foram surgindo e pequenas coisas que tinha intenções de colocar na história foram adiadas, até que me comecei a perceber que estava a ficar demasiado grande e precisava de por um ponto final por enquanto, mas ainda tinha potencial para continuar.

Veronica Roth fala num exemplo que acho bastante apropriado: estás num barquinho de caca no meio do oceano. E de repente existe um furo no teu barco (“OH BOLAS! VAMOS NOS AFOGAR! VAMOS TODOS MORRER SE NÃO TAPARMOS ISTO!”) Consegues tapar o buraco, mas ainda continuas num barquinho de caca no meio do oceano, e precisas de encontrar terra. (“OH BOLAS! AINDA ESTAMOS NESTE BARCO!”)

Voltando ao início, passamos três anos a sonhar acordados e finalmente pusemos o ponto final na história. Não deveríamos pensar “Porra, passei tanto tempo a escrever isto e agora ainda vou fazer a asneira de continuar? Não devia ter terminado com o ‘viveram todos felizes para sempre’?” Não funciona assim quando se é escritor. “Aceitação, o último estado que todos desejamos conseguir atingir.” Acho que não estou sozinha quando falo daquela ideia irritante que insiste em vir-nos à mente, e por mais que a ignoremos ela continua a voltar e a voltar, até que finalmente levantamos os braços no ar e desistimos: “OK, OK. EU VOU-TE ESCREVER! AGORA PARA DE ME CHATEAR!” 

Mas e o pesadelo da história? Ah, pois é… escrever não é um mar de rosas. Nunca foi e nunca será. Stephen King diz “os amadores sentam-se e esperam pela inspiração, os restantes levantam-se e vão trabalhar”. Escrita exige autodisciplina, trabalhar mesmo quando não existe vontade. Mas agora é tudo muito pior porque: o primeiro foi escrito a pensar, “bem, se for uma bosta não faz mal porque ninguém vai ler”. O segundo é escrito a pensar “oh bolas, o holofote está mesmo a bater na minha cara. Está tudo a olhar para mim! Será que eles conseguem ver que estou a usar roupa interior por baixo disto?” Se o primeiro tiver sucesso, por alguma razão é, mas essa razão nem sempre é evidente para o escritor porque nós não possuímos o mesmo olhar objectivo que o leitor. A nossa história é o nosso bebé  e sabemos todos os seus detalhes, mesmo aquilo que escolhemos não apresentar ao leitor. Depois dão-nos um papel e uma caneta e dizem: faz igual.

Tal como Veronica Roth aconselha, e eu tenciono seguir como uma mantra enquanto escrevo o segundo livro, “pensa na trilogia como um livro só, com o mesmo enredo, os mesmos personagens, e com a mesma corrente de pensamento. A história tem de continuar, mas a exploração não pode desaparecer” (um dos aspetos que eu acho que torna o meu livro bastante “meu”, por assim dizer, é a existência da exploração de emoções humanas como raiva, depressão, negação etc.) “dá um passo de cada vez - um livro de cada vez, uma cena de cada vez”.

E quanto às críticas negativas, lembrem-se que não é possível agradar a todos, a única coisa que podemos esperar é aprender com as críticas e tornarmos-nos melhores e seguir o conselho de Sinclair Lewis “é impossível desencorajar os verdadeiros escritores, eles não querem saber do que dizes, ele irão escrever”.

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