segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O que viajar me ensinou (escrita e muito mais)


Muito conhecida é a citação de Ibn Battuta que disse "Viajar deixa-te boquiaberto, e depois transforma-te num contador de histórias". E talvez devesse ter sido com essa perspetiva que entrei nas minhas viagens de mochila às costas pela América do Sul, mas não...

Não é que não concorde, pelo contrário, não podia concordar mais. E quando uma das miúdinhas a quem tive o prazer de ensinar inglês no Peru, me elogiou em espanhol "usted eres adorable", um amigo meu não pode deixar de gozar com o encanto do inglês com que ela o tinha dito. "Oh, well, pelos vistos não sou lá grande professora," queixei-me. Ao que ele respondeu que teria de me contentar em ser uma boa viajante e uma contadora de histórias de grande sucesso. 

A inspiração para as minhas viagens veio da frase que não me canso de realçar, "um escritor é a soma das suas experiências". Esta frase veio do filme Stuck In Love e apesar de não ter achado o filme algo de repetir tantas vezes quanto o Harry Potter (nenhum filme se encontra a esse nível), essa frase marcou-me de forma a nunca me ter dado a oportunidade de esquecê-la.

Quem me conhecer bem o suficiente saberá que sou um bocado aficionada por citações e quase me agarro a elas como se fossem uma religião. E a verdade é que esta frase não podia se aproximar mais da realidade. Se não chegarmos a viver, sobre o que iremos escrever? Criatividade não nos levará a todo lado...

E o que ganhamos quando viajamos? Muito mais do que estávamos à espera!

Conheces mais pessoas
Muitas das minhas personagens secundárias são baseadas em pessoas reais. Um pequeno traço aqui, outro ali e torno-as inconfundíveis até mesmo aos olhos das pessoas que as representam. A verdade é que muitas vezes não nos vemos a nós próprios da mesma maneira que os outros nos vêm. 

Uma das personagens que aparece no segundo livro de «Sombras» é de personalidade inspirada numa pessoa, físico de outra que conheci na Tailândia e nome de outra que conheci no Peru (o nome foi apenas porque ele já há um ano que se chama Jack, mas infelizmente isso podia confundir algumas pessoas com o nome de Jake e vi-me obrigada a fazer um ajustes).

Tens mais momentos para relembrar
Enquanto viajas conhecerás pessoas fantásticas e com essas pessoas partilharás momentos engraçados, dignos de relembrar para um pequeno momento de humor. 
Uma pista: o facto de discutirmos com um americano sobre que futebol é realmente o futebol verdadeiro (come on, o nosso foi inventado primeiro, eles roubaram-nos o nome), provoca um momento de discórdia que pode ser engraçado.

As culturas dos países
Enquanto viajei (este ano não só para a América do Sul, mas também para Marrocos, Índia e Tailândia), tens a oportunidade de estar submersa em diferentes culturas, que podem ser mais tarde utilizadas para criar personagens variados, com diferentes backgrounds

Mais cenários
Se tu visses o que eu vi, Dominó. Florestas capazes de nos fazer perder. Montanhas de tamanho inimaginável, lagoas feitas de crateras, cascatas que quase no rebentavam os ouvidos com o som. 

Os momentos de adrenalina
Não existe nada melhor do que descrever o próprio medo quando o sentimos na pele. Aquela sensação de enjoo terrível que nos passa pelo estômago, mesmo antes de saltarmos e nos apercebermos que sobrevivemos. A sensação de estar perdida sem saber o que fazer que quase leva ao desespero. A realização de que somos mais fortes do que pensávamos e conseguimos ultrapassar obstáculos. 

Ou até mesmo aquele momento em que completaste algo da tua bucket-list e ficas sem palavras para descrever a sensação.

E por fim...

Mais momentos amorosos
É difícil conhecer tanta gente sem ter um ao outro que nos chama a atenção quando apanhamos o seu olhar. A química é inegável. Mais experiências significam mais histórias. Sejam elas boas ou más. Os heartbreaks mais reais. Outra frase que gosto muito é "se um escritor se apaixonar por ti nunca poderás morrer". O que é verdade, ficarás para sempre imortalizado(a) nas suas páginas. Mas deixa-te cair no seu lado negro e também podes virar a/o vilã(o) da próxima história...

E finalmente descobrimos que apesar da aventura ser excitante e espectacular, vais sempre adorar aquele dia relaxado em que te sentaste no Starbucks de Cusco a trabalhar o dia inteiro. Daquele cafézinho pitoresco que descobriste em Lima. Ou no dia em que não tiveste de dar aulas de inglês e passaste a manhã inteira a escrever. Todos estes momentos fazem-nos perceber que realmente adoras o teu trabalho. 


domingo, 29 de novembro de 2015

Um ano de Sombras

Ontem «Sombras» completou um ano... yay!! Parabéns!

Okay, vamos recapitular os acontecimentos deste primeiro ano.



Nas primeiras semanas, «Sombras» entrou para o top de ebooks mais vendidos da Wook e até constou na tabela do Diário de Notícias (ter o meu nome num dos principais jornais portugueses é algo que eu considero um grande feito).


No final do ano ainda estava no top 10, juntamente com Divergente. Divergente! A sua escritora é só uma das maiores inspirações deste blog nada mais, que é isso?
E depois a euforia do inicio foi morrendo um bocadinho...

Agora, apesar de a situação parecer um bocado lúgubre, mas isto não são motivos para desanimar. A verdade é que Portugal está entre os países que menos lê na Europa. Em segundo lugar está ainda o facto de muito ainda não terem aderido à moda do formato digital, E em terceiro o facto de o género fantástico não ser um género agradado a todos. Existe muitos para agradar. 

Mas vamos nos concentrar nas coisas positivas.

De todas as pessoas que leram, até agora tenho sido abençoada com apenas elogios e críticas positivas. Muitos apreciaram o meu sentido de humor, o sarcasmo e o ritmo com que a história se desenvolve. Alguns informaram-me da pequena tristeza que sentiram quando terminaram de ler e se aperceberam que a Lilly, o Liam e o Louis já não os acompanhariam nos transportes. E falando em transportes públicos, pelo menos duas pessoas, comentaram o facto de terem sido apanhados a rir em pleno metro ou comboio e como alguns se decidiram juntar com um sorriso. Ao que parece «Sombrasdiário» anda a espalhar alegria. 

Tudo isto são coisas que qualquer escritor(a) sonha um dia ouvir da sua obra. 

Um recapitulo das melhores críticas:  
  • "Uma história interessante que me prendeu do principio ao fim." - Anónimo 
  • "Adoro descobrir o talento que temos em Portugal. Tenho de confessar que gostei muito deste livro. Mais do que estava à espera. Revelou-se uma leitura surpreendente." - Histórias Fantásticas
  • "Tudo está bem interligado e a ação é constante, deixando o leitor ansioso pela próxima página, e a ideia de "só mais um capítulo" vai mais além aqui, porque só paramos de ler quando a vida realmente impõe. A cada ser sobrenatural que aparece, nota-se a pesquisa da autora." - Catarina Magalhães
  • "O mistério e o suspense continuam ao virar da página. [...] As personagens têm personalidade próprias e diferentes permitindo tomar partidos e criar empatias e desconfianças que os agarrem à história." - Inês Bento
  • "Está escrito de maneira a prender o leitor, fazê-lo pensar e  entrete-lo, tudo ao mesmo tempo. O humor está presente nos momentos mais inesperados e as personagens foram criadas de maneira imaginativa." - Claudia Cajada 
  • "Eu adorei ler este livro devido à mensagem que transmite [...]  nesta história a forma como a ação se desenvolve faz com que, ao longo do livro, mudemos o parecer relativamente a algumas personagens centrais. [...] Tenho que destacar a personagem principal que é um exemplo de força, perseverança e coragem para todas as mulheres" - Ana Baguecho
Agora a sua sequela está quase terminada e tenho de admitir que tem levado mais tempo que o esperado, porque neste último ano tive uns contratempos pessoais, terminei a faculdade (yay, licenciada!), viajei pela América do Sul (o novo livro estará repleto de referências a essas mitologias) e, por último, fui submetida a uma operação oftalmológica de correção laser que me deixou os olhos secos e não corrigiu a 100% (provavelmente serei obrigada a fazer mais uma cirurgia). 

Mesmo agora estou a fazer um grande esforço para conseguir ver alguma coisa enquanto escrevo, mas era incapaz de pousar este manuscrito quando se encontra tão próximo do fim...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Soundtrack de «Sombras» - Bad Moon Rising

Bad Moon Rising é um clássico intemporal da banda Creedence Clearwater River e definitivamente a versão que me chamou à atenção para banda sonora de «Sombras», mas a versão de Mourning Ritual arrepia os pêlos de qualquer um. Ouvi-a pela primeira vez na série de televisão Teen Wolf quando um lunático decidiu matar toda a gente que lhe aparecia pela frente no hospital e no que toca a cenas sombrias é uma versão ótima!

"I see the bad moon arising. 
I see trouble on the way.
 
(…)
 
I see bad times today.
 

Don't go around tonight,
 
Well, it's bound to take your life,
 

There's a bad moon on the rise."


[Esta parte só existe na versão original de Creedence Clearwater River]
"Hope you got your things together. 
Hope you are quite prepared to die.
 
Looks like we're in for nasty weather.
 
One eye is taken for an eye
."

Para mim as letras desta música são particularmente interessantes para o momento em que Lilly, Matthew e Anya estão no parque de jardim na noite de lua cheia e de repente são obrigados a perseguir um lobo. 

Para ver o soundtrack completo lê este post.


E não se esqueçam de entrar no mundo fantástico de «Sombras» a partir do excerto disponível em http://bit.ly/1vsqkSJ ou em http://www.coolbooks.pt/sombras 


E vocês têm alguma música deste género que possa utilizar nos meus futuros processos criativos? Comentem se souberem de alguma.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A preparar-me para outra revisão

O ano passado quando estava a terminar o manuscrito de «Sombras» escrevi um post acerca do processo de revisão de Veronica Roth.


Agora que finalmente terminei mais um rascunho da sua sequela, voltei novamente ao seu conselho.

Revisão #1 – Leitura
Revisão #2 – Problemas globais e problemas locais
Revisão #3 – Período de reflexão

Não existe muito mais que possa acrescentar ao que já foi dito a não ser que recomendo seriamente a ler o rascunho tudo de uma vez. Quando lemos partes e focamos-nos a melhorar essas ditas partes e acabamos por esquecer um pouco o que já foi dito para trás, o que nos leva a repetir certas coisas, como diálogos que sabíamos que queríamos incluir que na verdade já foram escritos, mas esquecemos; descrições que já usámos e pequenas coisas aqui e ali.

Eu dei a uma amiga para ler a sequela e dizer o que achava e sem me aperceber tinha escrito algumas cenas repetidas o que ela comentou “já escreveste isto”, “já disseste algo semelhante”. Porquê? Porque não tenho o mesmo processo de leitura que ela em que tudo fica fresco na memória porque não existem pausas para trabalhar noutros pontos.

Outro ponto também fortemente aconselhável é deixar o manuscrito descansar um pouco. Isso é algo que de momento não me posso dar ao luxo visto que com o último ano de licenciatura, o trabalho, os estágios e o facto de ter passado os últimos três meses a viajar pela América do Sul, devo admitir que a escrita sofreu um bocadinho e devo retomar ao trabalho o mais depressa possível.

Mas deixar o manuscrito descansar permite-te a voltar com os olhos refrescados e a mente descansada. Distraí-te com outra tarefa. No entanto, o que eu aconselho a fazer é tomar notas das coisas que já sabes que tens de alterar.


Mas isso também depende de cada um, se eu soubesse a melhor maneira de enfrentar o difícil processo de revisão não temeria tanto quando este momento chega. Se alguém descobrir, por favor avise…

Entretanto fiquem com a maravilhosa foto do meu grandioso manuscrito :)


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Como escrever cenas de lutas

São 9 da manhã (não são porque o post está a ser escrito numa outra altura, mas tenho a certeza que devia circular por essa hora quando a ação decorreu) e tenho a chávena de café à minha frente e o meu computador aberto. Na secretárias, espalhados, estão os livros do Harry Potter, Twilight, Divergente, Instrumentos Mortais, e Eragon. Tudo o que puder dar umas luzinhas de como escrever o que vem a seguir: cenas de luta. 

Todos sabemos que em livros de fantasia e ação, mais cedo ou mais tarde, não podemos evitar estas partes que nos deixam eufóricos, cheios de ansiedade e a torcer pelo protagonista (ou pelo vilão). Mas quando não fazemos o trabalho todo corremos o risco de ter uma cena que é aborrecida, confusa e com falta de brilho.

É por isso que quando chega a estas alturas começo a fazer os trabalhos de casa e descobri que me ajuda a visualizar melhor as batalhas se ler como os outros fazem, daí os livros todos; e procurei também uns conselhos e organizei estas ideias:

Prepara o cenário
As cenas de luta devem ser rápidas e tensas, mas ainda assim explicarem o cenário. Muitos escritores acham que ajuda quando fazem um mapa da batalha que está prestes a decorrer e planear onde vão estar os personagens (alguns até usam brinquedos para ajudar).


Lista de eventos
Tu sabes que algo é suposto acontecer aqui e ali. Faz uma lista dessas situações em particular e organiza os teus personagens de forma a lá chegarem. Se não tiveres uma ideia clara do que está a acontecer, os teus leitores também não terão.

Motivo
Porque estão os teus personagens a lutar a não ser pelo simples facto de quereres uma cena de luta na história? O que os motiva para vencerem a luta? Quais sãos os riscos que correm se perderem a dada luta?

Uma batalha é uma situação onde os nervos estão à flor da pele. A escolha de ficar ou fugir diz muito acerca da personalidade do teu personagem. O que eles fazem ou pensam quando têm a balança desequilibrada mostram o seu caráter aos leitores.

Suspense
E fazemos isto ao criar suspense, o desenvolvimento que ocorre até se atingir o clímax. Este deve ser maior do que a luta entre si demonstrar o nervosismo da situação.

Keep it real
Nada irrita mais os leitores do que cenas irrealistas onde um personagem faz e acontece e nada lhe atinge. Quando vemos os filmes do Super-Homem também esperamos algum tipo de fraqueza se não porque lhe daríamos vilões? Quer dizer ele é o Super-Homem, ele é capaz de tudo. Mas até ele precisa da sua kryptonite para tornar as coisas interessantes.

Deixa um bocado para a imaginação
Relatos detalhados de todos os passos e golpes tornam as cenas pesadas e aborrecidas. Escreve um pouco à volta do físico e descreve os cheiros e os sons. Foca-te no que sente o personagem como por exemplo o sabor do sangue, o zumbido nos ouvidos e a dor das lesões. O que me lembra de outro ponto: não tenhas medo de dar os detalhes que são um pouco mais macabros. Faz com que o leitor se aperceba da intensidade da batalha.

E por último…

Repetição
Com cenas de luta corremos o risco de muitas vezes cair na repetição. Repetir os ataques, repetir os verbos que descrevem a cena, repetir as frases.

Mantêm as frases curtas, mas tenta não o fazer demasiadas vezes. Alterna um pouco entre frases mais compridas e frases curtas para movimentos mais rápidos.

Diversifica as tuas descrições. Tenta usar os mais variados verbos para descrever as mesmas cenas de cair, saltar, esmurrar, etc.

Faz referência com as tuas outras cenas de luta para teres a certeza que não estás a repetir o que já foi dito antes.

E com isto terminei o tal último capítulo que me faltava escrever do rascunho da sequela de «Sombras» e posso finalmente passar à revisão. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cenas de grupo e conflito

Ultimamente tenho andado a rever algumas cenas dos capítulos anteriores da sequela de «Sombras» uma vez que me encontro presa no último capítulo que me falta do seu irmão continuação. Desta vez decidi atacar um problema que me deixa a hiperventilar, me obriga a comer uma tabelet inteira de chocolate e me faz olhar para o monitor com lágrimas nos olhos...

Cenas de grupo!

Não é que as considere por norma mal escritas, mas as personagens parecem um pouco por todo o lado, nunca me entendo com quem fez o quê, onde estão e acima de tudo como a tornar realmente provocante de forma a que o leitor continue a pensar "Não, não vou dormir já, só mais uma página. Eu prometo que depois desta apago o tablet."

Então comecei a fazer uma pequena pesquisa e eis o que encontrei:

Primeiro: Quem são os personagens envolvidos na cena?
(eu até fiz o favor de fazer um desenho para compreensão. Esta cena faz parte da sequela de «Sombras» para provar a sua efetividade, o que permite já um cheirozinho - digam lá que não sou amiga.)

Nota: sintam-se à vontade para elogiar os meus dotes artísticos. E não, estes dois bonequinhos da direita não são anões ou crianças, são apenas desproporcionais.)

Agora têm os personagens e onde estão dispostos no cenário, acreditem estes detalhes ajudam na precisão da história, fazem com que se pareça mais real. É preciso acreditar para fazer os outros crerem. 

O que nos leva à próxima pergunta...

Segundo: Qual é o objetivo? 
Não é óbvio? É uma reunião de ornitólogos que vieram todos para o chá!! Quem não quer isso num livro de fantasia?

Nop, é uma reunião de planos maléficos pelas mentes criminais de Jillian. O objetivo? Ser maus e fazer planos para destruir o mundo (ou talvez apenas uma pequena organização com uma dúzia de pessoas, eles não são muito ambiciosos).

E dentro deste objetivo vamos prestar atenção ao porquê de estarem assim dispostos. Sabendo que o solitário, barra penteado de Hitler, ali sentado naquela poltrona magnífica é Claudius Blanchard. Os anões/crianças são Albert e Angelica Lebrun. A ornitóloga, com penteado acabado de vir do filme Disney Brave, Madeleine Lebrun e os restantes os lobisomens de Davenport. Porque não está Claudius sentado ao lado de uma das belas amigas de Randall Davenport? Ou Albert a beber o cházinho que Claudius preparou com tanto amor e carinho? 

Esses detalhes são o que torna os teus personagens únicos e distintos entre si. Concede-lhes o poder de terem uma voz própria e não se misturarem todos no papel.



Terceiro: Quem são os personagens principais? 
Num livro não tens apenas os personagens principais, certo? Apesar de serem os que têm maior destaque precisam do apoio das personagens secundárias. Nas cenas de grupo focamos-nos no inverso. Sim, temos vinte pessoas, mas quando um burro fala o outro baixa as orelhas. Os meninos menos importantes agora sossegados que os adultos estão a falar. 

Em grupos grandes existe uma tendência para se dividirem em grupos menores, se acontece na vida real porque não haveria de acontecer no mundo fictício? 


Agora foca-te, como interagem essas personagens entre si num dado grupo? Que particularidades têm que os torna mais chegados. O que diz das suas personalidades ao juntarem-se a uns e não a outros?

O que nos leva ao quarto ponto...

Quarto: Qual é o conflito?
Uma história onde a Maria e o João são alunos do sétimo ano, juntamente com a Madalena, o Roberto, o Joaquim, a Mariana e onde todos se dão bem, são felizes e fazem todos os trabalhos de casa pode ficar bonita na vida real quando o que queremos é descomplicações. Mas não possuí nem metade do interesse quando a história fala da Maria, a melhor aluna da turma que sempre faz os trabalhos de casa e tem o João sempre a chatear a querer copiar. O Roberto, o melhor amigo da Maria, não vai com a cara do baldas do João nem pintado por isso estão sempre às turras. Mal os dois rapazes sabem que a Mariana, a namorada do João tem um fraquinho pelo Roberto e em contra-partida o melhor amigo do João, o Joaquim, está perdidamente apaixonado por ela. 

Viram? Os personagens são os mesmos, o que se acrescentou foi conflito. 

Quando contas uma história ao teu amigo sobre lavar o carro, não a contas se chegares lá lavares o carro e pagares. Só achas que essa história passa a ter importância quando realmente alguma coisa te impede de lavar o carro ou alguma coisa se põe no teu caminho quando vais para pagar. Há algo que se interpõe entre ti e o teu objetivo.



Uma história sobre vampiros e lobisomens que se odeiam uns ao outros é um material de leitura muito mais interessante que oito ornitólogos a beberem chá e a discutirem civilizadamente quantas espécies de aves são coleópteros e quantas espécies são lepidópteros. Caso ainda não tenham percebido, aquela coisa ao lado da rapariga do Brave é um pássaro e aquilo ao lado de Hitler uma chávena de chá (eu sei deveria ter ido para Belas Artes).

Posso dizer que este método me ajudou imenso e um capítulo constantemente deixado para trás já começou a despertar o meu interesse.

Para quem ainda não leu «Sombras» pode aproveitar para ler um excerto em http://bit.ly/1vsqkSJ ou adquirir em www.coolbooks.pt/sombras.
Para os que já leram, aguentem-se mais um bocadinho que a sequela está cada vez mais próxima.